Daniel Jacaré
Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de Brasília em 2009, Daniel se aventurava nos traços muito antes disso virar profissão ou ilustrar paredes e molduras. Na época da escola, parecia concentrado em tomar notas durante as aulas, enquanto o lápis percorria o caderno com afinco, quando, na realidade, estava dedicado em criar mais uma caricatura de professor. Por mais que o resultado surpreendesse e divertisse os colegas e os próprios docentes, tudo não passava de uma distração prazerosa.

"Meu estilo de desenho sempre foi muito expressivo e carregado e, quando criança, eu entendia isso como sujo, feio e errado. Achava que os colegas que tinham traços delicados desenhavam muito melhor e que essa era a forma correta de desenhar."
Esse pensamento foi chacoalhado pela primeira vez quando sua professora de artes o convidou para participar de uma exposição com outros colegas.
"Na mesma hora, assustei e não entendi a proposta. Falei que o que eu fazia era apenas uma brincadeira, que havia outros alunos que desenhavam muito melhor. Ela disse que eu realmente não veria desenhos como os meus ali, pois o que eu fazia era original, algo somente meu."

Processo
O artista desenvolve composições que aliam a linguagem dos croquis, a intensidade das linhas e o contexto urbano e paisagístico. Os traços e as pinceladas livres, soltas e sobrepostas se ajustam a uma representação dinâmica, com bastante expressividade. Suas obras transitam entre o subjetivo intuitivo dos traços e o figurativo da composição, através de distintos níveis de simplificação e sofisticação.

Sketchbooks
Desde 2014, os sketchbooks se tornaram parte fundamental da minha trajetória como artista. Foi com eles que tudo começou. Cada viagem, cada passeio, cada nova paisagem que eu encontrava despertava em mim o desejo de registrar aquilo que os olhos viam — mas, principalmente, o que o coração sentia. Esses cadernos de desenho carregam mais do que rabiscos; eles guardam memórias, descobertas e a evolução do meu olhar artístico ao longo do tempo.
A cada cidade visitada, surgia uma nova página. A cada cenário diferente, os traços se tornavam mais elaborados, mais conscientes. Olhar para esses sketchbooks hoje é como revisitar não só os lugares por onde passei, mas também os caminhos internos que percorri enquanto desenvolvia minha linguagem visual. Eles são testemunhos silenciosos do meu processo criativo — e, sem dúvida, uma parte essencial da minha jornada como artista.















