Onde o tempo desacelera:
O horizonte de Daniel Jacaré e sua abstração pelas linhas.

Daniel Jacaré é artista visual formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU-UnB), em 2009. Sua produção investiga as relações entre pintura, espaço e experiência, articulando camadas, gesto e construção visual. Com formação em arquitetura, incorpora à sua prática artística noções de estrutura, escala e ambiente, expandindo a pintura para além do suporte tradicional. Seu trabalho propõe ao espectador uma vivência que ultrapassa a contemplação, aproximando a obra do campo da experiência imersiva.
Sobre o Daniel

"Meu desenho é feito a partir de uma construção contínua de traços, que vão se ajustando à proporção e ao que meu olhar pede no momento. É tudo muito intuitivo e rápido. E tem que ser rápido, como se estivesse tentando acompanhar o que minha mente pede na hora."
Processo
O artista desenvolve composições que aliam a linguagem dos croquis, a intensidade das linhas e o contexto urbano e paisagístico. Os traços e as pinceladas livres, soltas e sobrepostas se ajustam a uma representação dinâmica, com bastante expressividade. Suas obras transitam entre o subjetivo intuitivo dos traços e o figurativo da composição, através de distintos níveis de simplificação e sofisticação.

"Não existe traço feio. Feio é não ter traço"
Currículo
Exposições individuais
Outubro | 2024
RISCO, curadoria Flávia Rangel, Mezanino da Torre de TV
Exposições Coletivas
Março | 2022
XLII Salão de Artes Riachuelo, Galeria da Casa Thomas Jefferson
Novembro | 2022
Encontro Vida e Bem Estar - CGDF, Auditório da Imprensa Nacional
Setembro | 2024
Evento Institucional Celebrativo dos 30 anos do Fundo ECOS, ISPN, Memorial dos Povos Originários
Março | 2023
Ecletismo nas Artes Visuais, Malú Perlingeiro e Lia Paz, Museu Nacional dos Correios
Junho | 2024
MUTA, curadoria Hugo Pereira, Teatro Nacional
Março | 2025
Casa Brasília, DW - São Paulo
"Pra quê borracha? O rastro do desenho, (ou tentativas de acerto),
fazem parte do processo."

Sketchbooks
Desde 2014, os sketchbooks se tornaram parte fundamental da minha trajetória como artista. Foi com eles que tudo começou. Cada viagem, cada passeio, cada nova paisagem que eu encontrava despertava em mim o desejo de registrar aquilo que os olhos viam — mas, principalmente, o que o coração sentia. Esses cadernos de desenho carregam mais do que rabiscos; eles guardam memórias, descobertas e a evolução do meu olhar artístico ao longo do tempo.
A cada cidade visitada, surgia uma nova página. A cada cenário diferente, os traços se tornavam mais elaborados, mais conscientes. Olhar para esses sketchbooks hoje é como revisitar não só os lugares por onde passei, mas também os caminhos internos que percorri enquanto desenvolvia minha linguagem visual. Eles são testemunhos silenciosos do meu processo criativo — e, sem dúvida, uma parte essencial da minha jornada como artista.
"O espaço sempre foi protagonista no meu trabalho, antes mesmo de eu atuar como artista"

Conversa com o Daniel

Quando você permitiu que os seus traços se libertassem do arquitetônico?
Quando eu passei a fazer os desenhos somente para mim mesmo, (e nao para apresentar as outras pessoas
Como sua rotina no ateliê dita o ritmo da sua obra?
Quando inicio um trabalho, instantaneamente entro num processo imersivo, o que faz com que geralmente eu empilhe trabalhos seguidos. Porém, é muito comum ficar dias seguidos sem produzir, como se precisasse de um respiro antes de iniciar outro processo imersivo. Mas não é algo que faço conscientemente.
Existe um erro que virou acerto em sua trajetória?
Não. Primeiro que o erro na minha concepção é oriundo de uma tentativa de acerto. Então as decisões tomadas fazem parte da trajetória, e continuam a fazer. (Tal qual meu modo de desenhar!). As experiências profissionais e pessoais que antecederam minha jornada artística foram essenciais para minha formação como um todo, e se eu pudesse voltar no tempo, provavelmente escolheria as mesmas opções. Foi um processo orgânico. Como se existisse um magnetismo que me trouxesse para o que sou hoje.

"Na arquitetura, entendi que o traço imperfeito também comunica.
O importante é transmitir uma ideia e um conceito, não a busca por uma estética idealizada."















