Luzes
Na série Luzes, Daniel Jacaré deixa de operar como representação cartográfica e passa a existir como fluxo, ritmo e vibração. Os traços rápidos e soltos revelam uma pintura guiada pelo gesto e pela velocidade do olhar. As composições parecem capturar a cidade em estado de movimento como se luz, arquitetura e deslocamento fossem percebidos simultaneamente, antes mesmo de se estabilizarem em imagem.
Mais do que descrever Brasília, a série investiga suas pulsações: os rastros luminosos, os vazios, os cortes urbanos e a geometria que emerge e se dissolve na matéria pictórica. O horizonte cede espaço à experiência sensível da cidade. Nessas obras, o gesto não atua apenas como marca formal, mas como registro de presença e tempo. A pintura torna-se campo aberto de intensidade, onde paisagem e percepção se confundem, criando atmosferas que oscilam entre memória, velocidade e contemplação.
Texto de Monica Tachotte, para a exposição “Perder a Borda” realizada em 2026.











